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Cesta básica cai em 26 capitais em julho, aponta Dieese

ResumoO Dieese registrou queda no custo da cesta básica em 26 das 27 capitais brasileiras em julho, com redução puxada por batata, tomate e café. São Paulo mantém a cesta mais cara, a R$ 915,01. Apenas uma capital apresentou alta no período, conforme levantamento mensal do órgão.

O custo da cesta básica caiu em 26 das 27 capitais em julho, puxado pela queda em batata, tomate e café. São Paulo segue como a cesta mais cara, a R$ 915,01. Entenda os números do Dieese.

Edmar Lisboa
Edmar Lisboa Editor regional · 10 de agosto de 2026 · 6 min de leitura
Cesta básica cai em 26 capitais em julho, aponta Dieese

Custo da cesta básica cai em 26 das 27 capitais em julho, mostra Dieese

O custo da cesta básica diminuiu em julho em 26 das 27 capitais do país, amparado pelo alívio em itens como batata, tomate e café em pó, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O movimento reverte parte da pressão observada no primeiro semestre e alivia o orçamento das famílias, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Queda generalizada: quais capitais tiveram as maiores reduções?

Entre junho e julho, as quedas mais importantes ocorreram em Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%) e Palmas (-7,38%), Rio de Janeiro (-7,12%) e Brasília (-6,71%). A única alta no período foi registrada em São Luís (0,30%).

Os números mostram que o alívio foi amplo, atingindo tanto capitais do Sudeste quanto do Nordeste e Centro-Oeste. Para quem acompanha o preço dos alimentos mês a mês, a queda na batata e no tomate costuma ser o principal motor dessas variações, já que são itens de peso na composição da cesta.

São Paulo segue com a cesta mais cara do país

Apesar da queda mensal de 5,23%, São Paulo seguiu como a cesta mais cara do país, com custo médio de R$ 915,01. Na sequência aparecem Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73) e Rio de Janeiro (R$ 855,37).

A diferença entre a cesta mais cara e a mais barata é expressiva. Enquanto o paulistano desembolsa mais de R$ 900 para comprar os itens básicos, moradores de capitais do Nordeste pagam valores bem menores, como veremos a seguir.

Norte e Nordeste: onde a cesta é mais barata

No Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 594,07), Maceió (R$ 618,60), Natal (R$ 631,51) e João Pessoa (R$ 644,04).

Essa diferença na composição explica parte da variação regional. Em capitais do Norte, por exemplo, itens como farinha e peixe têm peso maior, enquanto no Sudeste o destaque fica para carne e laticínios. Por isso, comparar apenas o valor final pode não refletir o custo real de vida em cada local.

Comparação anual: alta em 22 capitais, queda em cinco

Na comparação anual, o custo da cesta aumentou em 22 capitais e caiu em outras cinco em julho. As altas variaram de 0,74% (Recife) a 8,33% (Cuiabá). As quedas mais expressivas ocorreram em Natal (-2,26%), Brasília (-1,46%) e São Luís (-1,18%).

O cenário anual ainda é de pressão, mas o ritmo desacelerou em relação aos meses anteriores. Para o consumidor, isso significa que, apesar do alívio recente, o custo dos alimentos segue acima do nível de julho do ano passado na maioria das capitais.

Acumulado de 2026: alta em todas as capitais

No acumulado de janeiro a julho de 2026, as 27 capitais registraram alta nos preços, com variações entre 4,28% (Campo Grande) e 15,68% (Porto Velho). O dado mostra que, mesmo com a queda de julho, o saldo do ano ainda é de aumento expressivo, especialmente no Norte.

Porto Velho lidera a alta acumulada, o que reforça a tese de que a inflação de alimentos tem impacto regional desigual. Enquanto o Centro-Oeste e parte do Sudeste registraram aumentos mais moderados, o Norte sentiu com mais força a pressão dos preços.

Esforço do trabalhador: menos horas para comprar a cesta

A redução em julho diminuiu o esforço médio do trabalhador para adquirir a cesta. No mês, o tempo médio necessário para comprar os itens foi de 100 horas e 24 minutos, abaixo do registrado em junho (105 horas e 51 minutos). Em média, o gasto comprometeu 49,34% do salário mínimo líquido.

Esse percentual é um indicador importante: mostra que, mesmo com a queda, o trabalhador brasileiro ainda destina quase metade do salário mínimo líquido apenas para a alimentação básica. A melhora em relação a junho é real, mas o patamar segue alto.

Salário mínimo necessário: R$ 7.687,01

Com base na cesta mais cara, o Dieese estimou que o "salário mínimo necessário" deveria ter sido de R$ 7.687,01, ou 4,74 vezes o salário mínimo de R$ 1.621. O cálculo considera o preço da cesta em São Paulo, a mais cara do país.

O número serve de parâmetro para dimensionar o desafio do poder de compra. O valor estimado pelo Dieese é 4,74 vezes o piso nacional, o que indica que a renda mínima legal está distante do custo real de vida, ao menos segundo a metodologia do departamento.

O que explica a queda de julho?

A queda de julho foi amparada pelo alívio em itens como batata, tomate e café em pó, segundo dados do Dieese e da Conab. Esses produtos tiveram redução de preço no mês, puxando o custo total da cesta para baixo na maioria das capitais.

A batata e o tomate são típicos casos de safra: quando a oferta aumenta, o preço cai. Já o café, que vinha pressionado, também apresentou recuo. A combinação desses fatores foi suficiente para derrubar o custo médio em 26 das 27 capitais.

Perspectivas para os próximos meses

A tendência de curto prazo depende de fatores como clima, safra e logística. Se a oferta de alimentos continuar favorável, é possível que o custo da cesta permaneça estável ou até caia. Por outro lado, qualquer choque de oferta, como seca ou geada, pode reverter o movimento.

Para o consumidor, a recomendação é acompanhar os preços regionalmente, já que a variação é grande entre capitais. Quem mora em São Paulo, por exemplo, paga 54% mais caro pela cesta do que quem mora em Aracaju, uma diferença que impacta diretamente o orçamento familiar.

Impacto no poder de compra e no bolso do trabalhador

A queda de julho representa um alívio, mas o acumulado do ano segue pressionado. Com o salário mínimo em R$ 1.621, o trabalhador que ganha o piso compromete quase metade da renda líquida apenas com alimentação. A cesta mais cara, em São Paulo, exige mais de 4 salários mínimos para ser comprada.

Esse cenário reforça a importância de políticas de abastecimento e de controle de preços de alimentos. A Conab, que acompanha os dados junto com o Dieese, é um dos órgãos que monitoram a oferta e os preços no atacado, o que ajuda a explicar as variações.

Perguntas Frequentes

Por que a cesta básica caiu em julho?

A queda foi puxada pelo alívio em itens como batata, tomate e café em pó, segundo dados do Dieese e da Conab. Esses produtos tiveram redução de preço no mês, o que derrubou o custo médio da cesta em 26 das 27 capitais.

Qual foi a única capital que registrou alta em julho?

São Luís foi a única capital com alta no período, de 0,30%. Todas as outras 26 capitais registraram queda no custo da cesta básica entre junho e julho.

Quanto custa a cesta básica em São Paulo?

A cesta mais cara do país é a de São Paulo, com custo médio de R$ 915,01, após recuo mensal de 5,23%. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 881,27) e Florianópolis (R$ 860,73).

Qual é o salário mínimo necessário segundo o Dieese?

Com base na cesta mais cara, o Dieese estimou que o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 7.687,01, ou 4,74 vezes o salário mínimo de R$ 1.621. O valor considera o custo da cesta em São Paulo.

O custo da cesta subiu ou caiu no acumulado de 2026?

No acumulado de janeiro a julho de 2026, as 27 capitais registraram alta nos preços, com variações entre 4,28% (Campo Grande) e 15,68% (Porto Velho). Mesmo com a queda de julho, o saldo do ano é de aumento.

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